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Bolívia: Evo Morales pretende ser presidente até 2025

Atualizado: 24 de Mai de 2019


LA PAZ - Enquanto a saga de sete eleições gerais chega ao fim na América Latina, a tendência na Bolívia é que o indígena e líder cocaleiro Evo Morales, presidente desde 2006, seja reeleito em 2019. "Nunca sonhei em ser dirigente, ainda menos presidente, mas sinto uma obrigação, uma pressão, um destino a seguir sendo presidente", afirma Evo em entrevista a BBC, no qual justifica como "vontade do povo" seus esforços para conseguir o aval do Tribunal Constitucional, mesmo após a rejeição do referendo de consulta popular que autorizava sua quarta disputa eleitoral.


[REUTERS/Adriano Machado] Evo Morales em visita diplomática ao Brasil.

Para compreender a solidez do legado e popularidade de Evo é preciso recorrer à história recente do país. Em entrevista ao CORRESPONDENTES, a jornalista e cineasta Lídia Amorim, explica que disputas étnicas e a forte influência dos Estados Unidos na política boliviana são memórias ainda vivas entre a população. Além disso, os últimos presidentes, Gonzalo Sánchez de Lozada (2002-2003) e Carlos Mesa (2003-2005), foram depostos após protestos nacionais contra a extinção da folha de coca e contra exportação de gás natural por um porto no Chile, rival histórico boliviano.

Na época, confrontos violentos levaram à renúncia de Lozada que pediu exílio nos EUA. Ainda foragidos, Lozada e Mesa foram considerado culpados por aprovar a violência policial contra os protestos de 2003. Nesse contexto, surge Evo Morales com trajetória de luta sindical, de origem indígena, adepto ao Estado Plurinacional - que reconhece 36 nações indígenas no país - e também a favor de políticas de nacionalização das empresas de energia e de gás natural, no qual tem no Brasil um cliente fiel há anos.


[AFP/Aizar Raldes] Protesto no dia 15 de outubro de 2003 contra governo de Lozada após 86 manifestantes mortos e 400 feridos em menos de um mês.


Para Lídia, a polêmica de um suposto filho abandonado de Evo teria afetado as votações do referendo, mas não abalou a popularidade do presidente. Ela também acredita que pela oposição não conseguir um candidato tão representativo quanto Morales, as possibilidades da quarta reeleição são altas. Confira a entrevista completa no vídeo a seguir.



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